Isabel Sabadí: como um projeto urbano transformou uma antiga área industrial em um dos principais distritos de inovação do mundo

Entrevista: o que o Distrito 22@ Barcelona ensina sobre cidades, inovação e desenvolvimento econômico

A diretora Isabel Sabadí (foto) conta a The Builders sobre como um projeto urbano transformou uma antiga área industrial em um dos principais distritos de inovação do mundo — e o que as cidades brasileiras podem aprender com esse modelo. / Foto: Divulgação

Referência internacional em inovação urbana, o distrito 22@, em Barcelona, é hoje um dos exemplos mais emblemáticos de como o planejamento urbano pode ser utilizado como estratégia de desenvolvimento econômico. O que antes era uma área industrial degradada se transformou, a partir do ano 2000, em um território voltado à economia do conhecimento.

Hoje, o distrito reúne mais de 12 mil empresas, 35 espaços de coworking, nove universidades e três centros tecnológicos. Ao todo, o 22@ concentra cerca de 90 mil trabalhadores e responde por 6,3% do tecido produtivo de Barcelona, além de representar 14,5% do PIB da cidade e 12,5% dos empregos — números que mostram que o projeto deixou de ser apenas urbanístico para se tornar um dos motores econômicos da capital catalã.

O 22@ é, antes de tudo, um projeto urbano. E essa é justamente a principal diferença do modelo de Barcelona em relação a muitos projetos de inovação ao redor do mundo.

Durante o Smart City Expo Curitiba, conversamos com Isabel Sabadí, diretora-geral do 22@ Network Barcelona, associação criada pelas empresas do distrito e que hoje atua como uma das principais estruturas de articulação entre empresas, universidades e poder público dentro do ecossistema de inovação da cidade.

THE BUlLDERS – Como começou a transformação do distrito 22@?

Isabel Sabadí Um dos pontos mais importantes foi a criação de um plano estratégico de planejamento urbanístico focado na criação de hubs. Foram criadas estruturas com universidades, centros tecnológicos, startups e empresas ao redor, e assim se formou um ecossistema. Esse modelo foi sendo replicado ao longo de cerca de 200 hectares, transformando uma área industrial em um distrito de conhecimento com diferentes ecossistemas, como mídia, saúde, criatividade, design e tecnologia. 

Em 2004, foi criado o 22@ Network, com o objetivo era atrair empresas e dar visibilidade à inovação que estava sendo produzida ali. Com o tempo, a associação passou a trabalhar também com a cidade em temas como legislação urbanística e projetos de inovação.

O 22@ não nasceu como um parque tecnológico, mas como um projeto de cidade. / Foto: The Builders

THE BUlLDERS – O 22@ é frequentemente citado como um living lab. Como isso funciona?

Isabel Sabadí O distrito funciona como um campo urbano, um living lab. Tudo é testado primeiro no 22@ e depois levado para outros espaços da cidade. Isso inclui sensores, soluções urbanas, projetos de sustentabilidade e novas tecnologias. Barcelona está estruturando também um sandbox urbano, e o 22@ deve ser o principal espaço para testes piloto e uso de dados urbanos.

THE BUlLDERS – O distrito também se tornou uma referência internacional. O que vem pela frente?

Isabel Sabadí Todas as semanas recebemos delegações de diferentes partes do mundo. Isso ajuda a atrair empresas e centros de pesquisa. O plano agora é continuar desenvolvendo o conceito de smart city space, com novas aceleradoras, especialmente nas áreas de microprocessadores, Internet das Coisas e tecnologias urbanas, além de infraestrutura como data centers e espaços para experimentação tecnológica.

THE BUlLDERS – A atração de talentos é um desafio?

Isabel Sabadí Barcelona tem uma vantagem importante: qualidade de vida. Temos o mar, as montanhas, o clima e a vida cultural, e isso ajuda muito a atrair talento internacional. Hoje, as pessoas escolhem cidades antes de escolher empresas, e isso é algo que as cidades precisam entender.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *