Dois anos após o lançamento do projeto, Governo do PR divulga consórcio vencedor da licitação. Projeto pretende transformar área industrial abandonada do Rebouças em novo polo de inovação.

Fábrica de ldeias: quem vai construir o projeto de inovação de R$ 300 milhões em Curitiba?

Dois anos após o lançamento do projeto, Governo do PR divulga consórcio vencedor da licitação. Projeto pretende transformar área industrial abandonada do Rebouças em novo polo de inovação. / lmagens: Divulgação (Ricardo Amaral Arquitetos Associados)

Antigas áreas industriais estão se transformando em polos de inovação em diversas cidades do mundo. Em Curitiba, esse movimento começa a ganhar forma com o avanço do projeto da Fábrica de Ideias, empreendimento que pretende transformar uma área abandonada do bairro Rebouças em um grande centro de tecnologia, economia criativa e novos negócios.

O Governo do Paraná concluiu o processo licitatório para a implantação do complexo, estimado em R$ 296,5 milhões, que será construído em um terreno de aproximadamente 50 mil metros quadrados onde funcionava uma antiga fábrica de bebidas, localizado entre as avenidas Getúlio Vargas e Iguaçu.

O Consórcio Inova Paraná foi declarado vencedor da disputa ao apresentar a melhor proposta técnica entre quatro concorrentes. O grupo reúne as empresas Cesbe Engenharia, RAC Engenharia, JPM Arquitetura, Arquibrasil Arquitetura e Restauração e Enclimar Curitiba. A homologação do resultado já foi publicada em Diário Oficial. O cronograma de execução das obras deve ser definido até o final do mês.

A Fábrica de Ideias foi apresentada há dois anos, durante o Smart City Expo Curitiba, com a proposta de criar um ambiente capaz de integrar empresas de tecnologia, centros de pesquisa, iniciativas culturais e serviços voltados ao empreendedorismo.

Coordenado pela Secretaria das Cidades do Paraná, o projeto foi concebido como um espaço híbrido que combina inovação, economia criativa, cultura e convivência urbana. A expectativa é que o complexo funcione como um ponto de encontro entre startups, universidades, empresas e governo, estimulando o desenvolvimento de novos negócios e soluções tecnológicas.

Retrofit e nova arquitetura

O projeto arquitetônico segue o conceito desenvolvido pela Audi do Brasil, que investiu cerca de R$ 4,1 milhões na elaboração da proposta como contrapartida aos incentivos fiscais recebidos por meio do programa Paraná Competitivo. O desenho arquitetônico foi desenvolvido pelo escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados.

A proposta prevê a utilização do modelo de retrofit, técnica que preserva estruturas existentes ao mesmo tempo em que moderniza os espaços. Além da recuperação dos edifícios industriais atuais, o complexo contará com um novo edifício corporativo de oito pavimentos, destinado à instalação de empresas de tecnologia, centros de pesquisa e instituições ligadas ao desenvolvimento econômico.

Espaço híbrido combina inovação, economia criativa, cultura e convivência urbana
Espaço híbrido combina, em área de quase 50 mil m2, inovação, economia criativa, cultura e convivência urbana.

NOSSA OPlNlÃO

Projetos como a Fábrica de Ideias costumam ter impacto muito maior do que apenas a construção de um novo complexo urbano. Eles funcionam como catalisadores de transformação territorial, capazes de reorganizar regiões inteiras da cidade. Curitiba, apesar de ser reconhecida internacionalmente por seu planejamento urbano e por iniciativas como o Vale do Pinhão, ainda não conta com um grande centro de inovação com escala urbana comparável a experiências de outras cidades.

O novo empreendimento pode, portanto, cumprir três funções estratégicas: fortalecer o ecossistema de inovação da cidade, criando um espaço físico capaz de concentrar startups, empresas, centros de pesquisa e iniciativas culturais; revitalizar o bairro do Rebouças, região historicamente ligada à atividade industrial e que vem passando por um processo gradual de transformação urbana; e consolidar um novo polo de inovação de Curitiba, complementando estruturas já existentes nas proximidades, como o Pinhão Hub.

Esse movimento de reconversão urbana já ocorreu em várias cidades ao redor do mundo. Em Londres, antigos distritos industriais foram transformados em centros de tecnologia e economia criativa. Em Barcelona, o Distrito 22@ se tornou um case global de mudança de vocação econômica, mesclando universidades, empresas e centros de pesquisa sem perder suas habitações populares.

No Brasil, exemplos semelhantes mostram como essa estratégia pode gerar impacto real. O Porto Digital, em Recife, revitalizou parte do centro histórico da cidade ao atrair empresas de tecnologia. Em Porto Alegre, o Instituto Caldeira nasceu da transformação de uma antiga fábrica no Quarto Distrito em um hub de inovação. 

Há também casos de um ambiente de inovação dando novo sentido a áreas que não eram destinadas à tecnologia: em Joinville, por exemplo, o desenvolvimento do Ágora Tech Park reposicionou o parque industrial onde está instalado (Perini Business Park) e, em poucos anos, ajudou a colocar a cidade catarinense no mapa dos ecossistemas de inovação emergentes no Brasil.

Se bem executada, a Fábrica de Ideias pode colocar Curitiba nessa mesma trajetória — conectando urbanismo, economia criativa e inovação em um projeto capaz de redefinir uma parte importante da cidade.

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