Erathos, de Curitiba, recebe aporte da Bossa Invest após reposicionar estratégia e triplicar volume de negócios
Startup fundada pelos empreendedores Luca Piermartiri e Gelson Bagetti (foto) reposiciona atuação, transforma expertise em produto e avança no mercado de engenharia de dados com foco em escala.
A Erathos, startup de tecnologia fundada por empreendedores de Curitiba, recebeu um aporte liderado pela Bossa Invest após triplicar seus negócios com um software de “ingestão de dados” (etapa crítica para centralizar informações dispersas em ERPs, CRMs e outros sistemas corporativos). A empresa, que surgiu como consultoria, reposicionou sua estratégia e passou a operar como SaaS, acelerando o crescimento no último ano.
A origem do negócio está ligada a uma provocação que extrapolava o ambiente acadêmico. Em 2017, ainda universitários de Administração, Gelson Bagetti e Luca Piermartiri se depararam com uma capa da revista The Economist que se tornaria referência global no debate sobre tecnologia: “dados são o novo petróleo”. A manchete ajudou a definir o rumo do empreendimento que seria formalizado três anos depois.
Quando foi fundada, em 2020, a Erathos iniciou sua trajetória como consultoria especializada em dados, atendendo grandes indústrias, distribuidoras e empresas de tecnologia no Brasil e no exterior. “Nos três primeiros anos, como essencialmente uma empresa de consultoria, crescemos bastante”, afirma Bagetti. Com o avanço dos projetos, um padrão começou a se repetir: antes de análises avançadas ou do uso de inteligência artificial, as empresas esbarravam em dificuldades básicas para acessar e integrar seus próprios dados.
Esse diagnóstico prático levou à principal inflexão estratégica da companhia. Em vez de seguir apenas como prestadora de serviços, a Erathos decidiu transformar o conhecimento técnico acumulado em produto. Há cerca de um ano, concentrou sua atuação no desenvolvimento de um software como serviço (SaaS) voltado à ingestão de dados. “Todo projeto de dados começa entendendo onde estão os dados, como acessá-los e como cruzá-los para enxergar a empresa de forma integrada”, explicam os sócios.
UMA “PIVOTAGEM” CERTEIRA
A mudança de modelo produziu efeitos quase imediatos. No último ano, já operando como SaaS, a empresa triplicou seus negócios. A solução da Erathos conecta mais de 70 fontes de dados aos principais data warehouses do mercado, como BigQuery e Databricks, permitindo que o próprio cliente configure integrações em modelo self-service. No ecossistema Databricks, a startup alcançou um diferencial relevante: é a única empresa brasileira reconhecida como tech partner validated na categoria de engenharia de dados.
“Aquela capa da The Economist não anunciava apenas uma tendência — ela previa uma nova era”, avalia Piermartiri. “Ter acesso centralizado aos dados e analisá-los com inteligência transforma conhecimento em ação e sustenta decisões estratégicas.”
Com o crescimento validado na operação, o avanço financeiro tornou-se consequência. Após um primeiro aporte do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), em 2023, a Erathos recebeu agora um investimento liderado pela Bossa Invest, marcando uma nova fase de escala. A empresa também foi selecionada na quarta edição do programa Inova, do Sebrae, que reúne instituições como BRDE, Raja Ventures e Unifique.
Hoje, com sede operacional em Curitiba e base comercial em Vitória, a Erathos atua em um mercado cada vez mais estratégico, atendendo analistas, engenheiros e lideranças de dados que buscam superar a principal barreira das organizações orientadas a dados: a ingestão e centralização da informação. Foi nesse gargalo — apontado primeiro pela prática, antes mesmo da tese — que a startup construiu sua trajetória recente de crescimento.
