Evento reuniu cerca de mil participantes em Curitiba, lançou editais e anunciou nova edição de programa para transformar pesquisa em produtos

Semana Araucária encerra com mais de R$ 40 milhões anunciados para ciência e inovação no Paraná

Evento reuniu cerca de mil participantes em Curitiba, lançou editais para 3,7 mil bolsas acadêmicas e anunciou nova edição de programa para transformar pesquisa em produtos. Fotos: SECOM/Fund. Araucária

Pesquisadores analisando dados do campo com inteligência artificial, estudantes aprendendo a programar robôs e engenheiros testando sistemas de controle de aeronaves em laboratório. Esses são alguns dos projetos apresentados durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação, que termina nesta quinta-feira (12), em Curitiba, após três dias de debates, apresentações de projetos e anúncios de novos investimentos voltados ao sistema científico do Paraná.

Promovido pela Fundação Araucária no Campus da Indústria da FIEP, o evento reuniu pesquisadores, gestores públicos, representantes de universidades, empresas e estudantes para discutir o papel da ciência no desenvolvimento do Estado. Ao longo da programação, foram anunciados mais de R$ 40 milhões em investimentos destinados à pesquisa, inovação, formação científica e programas de propriedade intelectual.

A proposta do encontro foi mostrar como recursos públicos destinados à ciência começam a se transformar em inovação aplicada — da pesquisa básica ao desenvolvimento de tecnologias com potencial de chegar ao mercado.

“Nos últimos anos, o Estado viveu um avanço muito significativo em ciência e tecnologia, resultado direto dos investimentos realizados pelo Governo do Paraná. Este evento é uma amostra de tudo o que está sendo desenvolvido nas universidades, nos institutos de pesquisa e no setor produtivo. Para que esse avanço continue, é fundamental manter um financiamento consistente, porque ciência e tecnologia dependem, essencialmente, de investimento contínuo”, disse o presidente da Fundação Araucária Ramiro Wahrhaftig.

Novos arranjos produtivos

Uma das áreas mais movimentadas da Semana Araucária foi o espaço dedicado aos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), programas que integram universidades, institutos de pesquisa e empresas. Nos estandes, os visitantes puderam conhecer projetos que vão desde tecnologia aeroespacial até soluções para o agronegócio.

Solução de IA apresentada no evento ajuda agricultores a monitorar pragas no cultivo de milho. / Foto: SECOM Fund. Araucária

No NAPI Aeronaves, pesquisadores apresentaram um sistema que conecta um simulador de voo a um sistema físico de controle de aeronaves, permitindo reproduzir comandos de um avião em tempo real. Já no NAPI Enfezamento do Milho, uma solução baseada em inteligência artificial promete ajudar agricultores a monitorar a cigarrinha-do-milho, inseto responsável por perdas significativas na produção.

O pesquisador do IDR-Paraná, Ivan Bordin, apresentou um aplicativo capaz de automatizar a contagem do inseto nas armadilhas instaladas nas lavouras: “a inteligência artificial permite fotografar a armadilha e contar automaticamente os insetos, registrando e enviando os dados pela internet”, afirmou. Também participaram do evento projetos voltados à robótica educacional, análise de alimentos, dados educacionais e novos produtos derivados da erva-mate.

Formação de novos pesquisadores

Na abertura do evento, foram lançados editais que somam mais de R$ 31,7 milhões para programas de bolsas voltados a estudantes de graduação. Ao todo, 3,7 mil bolsas serão concedidas para alunos envolvidos em projetos de pesquisa, inovação e extensão nas universidades do Estado.

“Estes programas alimentam o sistema desde a formação dos estudantes de graduação até a pós-graduação e garantem a renovação permanente de talentos que irão atuar na pesquisa, na inovação e no desenvolvimento do Estado”, afirmou o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.

Outro edital anunciado foi o Programa de Apoio aos Grupos do Programa de Educação Tutorial (ProPET), voltado às universidades estaduais do Paraná, com investimento previsto de até R$ 11 milhões.

Ciência que vira produto

Além do apoio à pesquisa acadêmica, o governo estadual também anunciou uma nova edição de um programa voltado à transformação de conhecimento científico em soluções de mercado. Durante o evento foi lançada a sexta edição do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), que receberá R$ 2 milhões em investimentos.

Voltado a pesquisadores vinculados a Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) do Paraná, o programa oferece treinamento em empreendedorismo e apoio para a formalização de patentes e outras formas de propriedade intelectual. Na segunda fase, os projetos que avançarem poderão receber até R$ 200 mil em recursos para desenvolvimento tecnológico.

A iniciativa é conduzida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) em parceria com a Fundação Araucária e o Sebrae/PR.

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