À frente da governança do ecossistema local, Maura Guérios destaca prioridades: medir o impacto da inovação, fortalecer a identidade do Vale do Pinhão e conectar universidades, empresas e empreendedores.

O próximo passo do Vale do Pinhão: transformar ativos de inovação em rede

À frente da governança do ecossistema local, Maura Guérios destaca prioridades: medir o impacto da inovação, fortalecer a identidade do Vale do Pinhão e conectar universidades, empresas e empreendedores. / Foto: The Builders PR

Curitiba já reúne boa parte dos ativos de um ecossistema de inovação relevante: universidades, hubs, programas públicos, empresas de tecnologia e três startups que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em valuation, Ebanx, Olist e MadeiraMadeira. Para Maura Guérios, presidente do Conselho Deliberativo da Governança do Ecossistema Vale do Pinhão, o próximo desafio é fazer essa estrutura funcionar de forma mais integrada.

“Todo mundo fala: ‘o Vale do Pinhão é aquele prédio no Rebouças’. Mas o Vale do Pinhão é muito mais do que aquele prédio”, afirma Maura ao The Builders PR.

Ela preside o Conselho desde o início deste ano, liderando um grupo que conta também com representantes de universidades, empresas, entidades empresariais, Sebrae, poder público e ambientes de inovação em uma instância comum de planejamento e articulação.

Maura também é Head do EcoHub da Universidade Positivo, ambiente que conecta empresas, startups, pesquisadores e comunidade acadêmica. A experiência ajuda a explicar a agenda que ela leva para a nova função: conhecer melhor o ecossistema, ampliar o senso de pertencimento e aproximar estruturas que ainda operam de forma fragmentada.

Primeiro, medir o ecossistema

A primeira prioridade passa por uma questão básica: saber com maior precisão quem forma o ecossistema e qual impacto ele produz. “O primeiro desafio é a gente entender o que é o ecossistema de uma forma quantitativa e qualitativa. Quais são os nossos dados, quem são os nossos atores, qual é o impacto que a gente gera e como os empreendedores vivenciam o ecossistema”, diz Maura.

A proposta vai além de contabilizar startups ou ambientes de inovação. Inclui medir geração de empregos, movimentação econômica, trajetória das empresas, conexões e a experiência de quem empreende na cidade. O diagnóstico já entrou na agenda da nova governança, com prioridades como o mapeamento dos atores, a construção de indicadores e uma leitura mais clara dos benefícios e incentivos disponíveis aos empreendedores.

Para Maura, Curitiba também precisa comunicar melhor esse impacto e não restringir sua narrativa aos casos mais conhecidos. “É importante falar que a gente tem três unicórnios, mas também temos que falar da quantidade de empregos que a gente gera através dessas startups.”

Vale do Pinhão como marca da cidade

O segundo desafio é de identidade. Criado para representar o ecossistema de inovação de Curitiba e articulado pela Prefeitura e pela Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, o Vale do Pinhão acumulou programas, eventos e espaços próprios. Ainda assim, para parte do público, a marca continua associada a um endereço ou à própria estrutura municipal.

A nova governança quer ampliar essa percepção e fazer com que startups, pesquisadores, estudantes, grandes empresas, hubs e organizações de apoio se reconheçam como parte da mesma rede. “Qualquer empreendedor, estudante universitário, aqui em Curitiba, é do Vale do Pinhão.”

A ambição é que essa identidade apareça também nas empresas, instituições e eventos ligados ao ecossistema. “Em cinco ou dez anos, o sonho é todo mundo entender o Vale do Pinhão, usar a marca nas empresas, nos eventos e nas ações que fizerem.

”Mais do que um esforço de comunicação, a lógica é criar pertencimento. Uma identidade compartilhada pode facilitar a circulação de informações, oportunidades e negócios entre atores que já estão na cidade, mas nem sempre se percebem como parte do mesmo sistema. O desafio inclui também tornar mais visíveis os instrumentos públicos disponíveis. Curitiba possui políticas e mecanismos voltados à inovação e ao empreendedorismo que, segundo Maura, ainda são pouco conhecidos por quem poderia utilizá-los.

Da universidade ao empreendedorismo

Nesse esforço de conexão, as universidades ocupam uma posição estratégica.

Curitiba concentra uma população universitária expressiva, mas transformar conhecimento e ideias desenvolvidas dentro da academia em novos negócios ainda não representa um caminho claro para muitos estudantes.

“Se pelo menos o universitário tiver claro, quando ele tem uma ideia na graduação, para onde ir, seja na graduação, no mestrado ou no doutorado, isso já ajuda bastante. A gente tem muito universitário em Curitiba que não chega necessariamente ao empreendedorismo. Tem ideias, mas elas param no meio do caminho.”

O horizonte da nova governança, portanto, não se resume a produzir mais startups ou perseguir novos unicórnios. Passa por entender melhor o impacto econômico que Curitiba já produz, tornar seus instrumentos mais acessíveis e criar uma identidade capaz de conectar quem empreende, pesquisa, investe e desenvolve inovação na cidade.

Os ativos já existem. O próximo estágio do Vale do Pinhão é transformá-los em rede.

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