Paraná cria cooperativa para aproximar cientistas e empresas e transformar pesquisas em negócios
CTNI Coop reúne pesquisadores, empresários e especialistas com o objetivo de levar projetos desenvolvidos em laboratórios ao mercado. Bioeconomia será uma das primeiras frentes de atuação. / Foto: Roberto Dziura Jr. (AEN)
O Paraná lançou nesta semana uma iniciativa para enfrentar um desafio conhecido por universidades e instituições de pesquisa: reduzir a distância entre o conhecimento científico produzido nos laboratórios e sua aplicação no mercado.
A Cooperativa de Ciência, Tecnologia e Negócios Inovadores (CTNI Coop) pretende reunir pesquisadores, empresários, executivos e especialistas das áreas financeira e jurídica para estruturar novos negócios baseados em ciência. O foco inicial estará em projetos ligados à bioeconomia, com atenção a áreas como água, energia e produção de alimentos.
Apresentada pelo Governo do Estado como a primeira cooperativa científica do Brasil voltada à aproximação direta entre cientistas e empresários, a iniciativa foi lançada na terça-feira, 9 de junho, em Curitiba. A coordenação será do Instituto CTNI — Centro de Tecnologia, Negócios e Inovação —, com apoio da Fundação Araucária.
O modelo busca aproveitar um ativo relevante do estado: o Paraná possui 11 universidades públicas, sete delas estaduais, além de parques tecnológicos e institutos de pesquisa distribuídos por diferentes regiões. Segundo a Fundação Araucária, aproximadamente 26 mil doutores atuam atualmente no estado.
Da pesquisa ao mercado
A criação da cooperativa parte de uma questão que acompanha o desenvolvimento do ecossistema de inovação brasileiro: a produção acadêmica avançou nas últimas décadas, mas parte significativa desse conhecimento ainda encontra dificuldades para chegar ao setor produtivo na forma de produtos, tecnologias ou empresas.
A proposta da CTNI Coop é aproximar pesquisadores de empresas interessadas em desenvolver soluções aplicáveis ao mercado. A participação de executivos e especialistas financeiros e jurídicos também busca suprir etapas que normalmente não fazem parte da rotina dos grupos de pesquisa, como modelagem de negócio, estruturação societária e estratégia comercial.
“Precisamos, cada vez mais, fazer a transformação da pesquisa científica, da ciência e tecnologia, em produtos e inovação. Precisamos que isso vá para o mercado e crie riquezas para a sociedade paranaense em diversas áreas”, afirmou Ramiro Wahrhaftig, diretor-presidente da Fundação Araucária, durante o lançamento.
Embora já existam cooperativas formadas por pesquisadores no país, a CTNI Coop foi apresentada como a primeira a reunir cientistas e empresários com o objetivo explícito de transformar pesquisas desenvolvidas em laboratório em novos negócios.
