Capitais brasileiras avançam em ranking global de ecossistemas de startups
Enquanto São Paulo segue no top 25 global, ambientes de inovação do Rio, Curitiba, BH, Porto Alegre e Florianópolis cresceram no ano passado, segundo o estudo Startup Blink 2026.
Os cinco principais ecossistemas de startups do Brasil – Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre – cresceram, em média, 15% em 2025 na comparação com o ano anterior, e figuram no top 200 do mundo, segundo o Global Startup Ecosystem index 2026, divulgado nesta terça, 19.05, pela Startup Blink.
O estudo, uma das principais referências mundiais na análise do desenvolvimento de ecossistemas inovadores, coloca São Paulo na 24ª posição global, uma abaixo do ranking do ano passado. Embora a pontuação da capital paulista tenha crescido 4,8% no período, a cidade acabou sendo superada pelo avanço mais acelerado de ecossistemas norte-americanos como Washington DC, Miami e San Diego, que aparecem exatamente à frente de São Paulo.
No top 10, não há surpresas: a região da Bay Area, em San Francisco, segue na liderança isolada, com score três vezes maior do que a vice-líder, Nova York. Na sequência estão Londres, na 3ª posição, Los Angeles, Boston, Beijing, Tel Aviv, Xangai, Paris e Singapura — quase todas com expansão entre 10% e 20% em comparação ao ranking do ano passado, com exceção de Boston e Paris, que tiveram pequenas quedas.
Em relação às cidades brasileiras, ainda que quatro capitais estejam entre as 200 maiores do mundo, elas são superadas, no panorama latino-americano, por Cidade do México (63ª), Bogotá (64ª), Santiago (72ª), Buenos Aires (86ª) e Medellín (130ª), que teve a maior expansão do grupo, com alta de 31%.
O Rio de Janeiro segue como segundo maior ecossistema de startups do país, na 138ª posição, com crescimento de 19,8%. Curitiba, no top 3 brasileiro, avançou três posições, para a 146ª colocação, com alta de 10,5% na pontuação. Belo Horizonte (157ª) e Porto Alegre (196ª) também ganharam posições, com crescimento de 14,7% e 27,1%, respectivamente.
O ranking também analisa os resultados por país. O Brasil, na 26ª posição e com crescimento médio de 17%, subiu um degrau após três anos estagnado. Ao todo, o ecossistema nacional soma valor de mercado de US$ 137,8 bilhões, o 17º maior do mundo. Na análise geral, o país “ocupa uma posição mais baixa no Innovators Business Environment Index (42º lugar), indicando que o ambiente de negócios é um desafio para o ecossistema de startups”.

A força do interior
O Brasil tem 32 cidades entre as 1.000 principais do mundo, mais do que a soma dos dois países latino-americanos seguintes no ranking. Dessas, 22 subiram de posição. “A maior parte registra crescimento positivo, indicando que o dinamismo está distribuído pelo país, em vez de concentrado em uma única cidade. A centralização do ecossistema está diminuindo. A pontuação total de São Paulo é 6,7 vezes maior que a do Rio de Janeiro, mas essa diferença vem se estreitando: enquanto São Paulo registra crescimento de 4,9%, outras cidades avançam em ritmo mais acelerado”, aponta o estudo.
Entre as 1.000 cidades listadas pela StartupBlink, outras capitais brasileiras, como Florianópolis (247ª) e Brasília (331ª), também subiram no ranking. A capital catarinense apresentou crescimento de 57,1% em comparação ao ano passado, o maior entre as 10 cidades brasileiras mais bem colocadas. No entanto, grandes cidades do interior, como Campinas/SP (405ª) e Joinville/SC (492ª), perderam, respectivamente, 40 e 69 posições.
Na metade final do estudo aparecem algumas das cidades brasileiras que mais cresceram do ano passado para cá, como Goiânia/GO (539ª), que subiu 144 posições; Londrina/PR (673ª), com alta de 211 posições; João Pessoa/PB (791ª); Chapecó/SC (845ª), com um salto de 402 posições; e São José do Rio Preto/SP (934ª), que avançou 321 postos.
Como destacou no report o superintendente de Economia e Estratégia de Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcio Guerra, “o ecossistema brasileiro de startups demonstrou resiliência e crescimento estratégico, com investimentos públicos em inteligência artificial e tecnologias sustentáveis, posicionando o Brasil como referência em inovação em energias renováveis e agricultura sustentável”.
