12º Mapeamento das Startups Paranaenses, lançado pelo Sebrae/PR, mostra crescimento de 20% no volume de negócios inovadores formalizados  

Mapeamento mostra 2,4 mil startups ativas no Paraná – e mais de 70% estão no interior

12º Mapeamento das Startups Paranaenses foi lançado pelo Sebrae/PR no Show Rural, em Cascavel e mostra um crescimento de 20% no volume de negócios inovadores formalizados no estado.  / Foto: Hay Ramos

Um ecossistema de novos negócios em expansão, formado por pequenas empresas que ainda não tiveram acesso a investimento externo – e bastante disperso por várias regiões. De acordo com a 12ª edição do Mapeamento das Startups Paranaenses (divulgado pelo Sebrae/PR durante o Show Rural, em Cascavel), o estado conta hoje com 2.457 startups mapeadas, sendo 1.866 formalizadas – um crescimento de 20,5% em relação à edição anterior, quando 1.548 startups estavam registradas como CNPJ ativo.

O estudo, que identificou 591 negócios ainda não formalizados, reúne dados sobre perfil das empresas, estágio de maturidade, modelo de investimento, setor de atuação e distribuição regional.

A distribuição por estágio mostra que quase metade delas está em operação (47,8%), que 11,6% está na fase de expansão (tração) e 3,1% são consideradas scale-up, mais maduras e com crescimento mais constante. Quase 20% ainda estão na fase de ideação e descoberta. 

No recorte setorial, o levantamento indica maior presença de healthtechs, que representam 6,8% do total mapeado, seguidas por agrotechs, com 6,3%, e empresas classificadas como IT & Communication, com 6,2%. Também aparecem adtechs e martechs, com 4,3%, e retailtechs, com 4%. A distribuição reflete tanto a incorporação de tecnologia em serviços quanto a influência de setores estruturantes da economia paranaense, como o agronegócio.

DlSTRlBUlÇÃO REGlONAL E PERFlL FlNANCElRO 

A distribuição geográfica reforça o peso do interior na dinâmica estadual. Curitiba concentra 636 startups, o equivalente a 26,8% da base total. Fora da capital, Maringá reúne 223 empresas, Londrina soma 171, Cascavel 109, Pato Branco 49 e Guarapuava 46. A taxa de formalização varia entre as regionais: em Curitiba, 95,7% das startups estão formalizadas; no Norte do estado, o índice é de 62,1%; e, na regional Sul, 30,1%.

Dados regionais do 12º Mapeamento das Startups Paranaenses, lançado pelo Sebrae/PR
Dados do 12º Mapeamento das Startups do Paraná, lançado pelo Sebrae/PR.

O levantamento também revela o perfil financeiro dessas empresas. A maior parte — 76,7% — utiliza bootstrapping como principal modelo de financiamento, operando com capital próprio e receita gerada pelo próprio negócio. A presença de outras fontes é menor: 4% recorrem a editais de inovação, 1,4% contam com investidor-anjo e apenas 1% utilizam fundos de investimento como principal fonte de recursos.

Segundo Rafael Tortato, coordenador de TIC e Startups do Sebrae/PR, o modelo de financiamento influencia diretamente o ritmo de expansão das empresas. “Essa estrutura fomenta um crescimento mais pragmático e orientado ao mercado. A inovação tende a ser incremental, focada em resolver problemas imediatos dos clientes para gerar receita rapidamente”, afirma.

O perfil estrutural também confirma a predominância de negócios enxutos. Quase metade das startups possui apenas um sócio. Em termos de enquadramento jurídico, 51,7% estão registradas como Microempresa e 31% atuam como MEI. Quanto ao modelo de negócio, a venda de serviços responde por 35,2% da base, seguida por SaaS, com 13,5%, e venda de produtos, com 11,9%.

O estudo completo está disponível no portal do Sebrae/PR e serve como referência para acompanhamento do desempenho e das características do ecossistema de inovação no estado.

NOSSA ANÁLlSE:

O desenvolvimento de ecossistemas de startups — um ativo fundamental para a evolução socioeconômica dos territórios — depende de fatores como cultura empreendedora, conexão com o mercado, capacidade técnica, densidade institucional e alternativas de financiamento.

O mapeamento apresentado pelo Sebrae/PR indica que o movimento empreendedor no Paraná segue ativo e que distribuição geográfica (com 73% das startups fora da capital) também é um dado relevante, reduzindo a dependência de um polo central.

Contudo, os dados também revelam limites estruturais. Quase metade das startups opera com apenas um sócio, e a maioria está enquadrada como Microempresa ou MEI. Esse perfil indica estruturas enxutas, com baixa complexidade organizacional e capacidade restrita de absorver risco e acelerar crescimento.

O principal ponto de atenção está no financiamento, o que mosta que o ecossistema paranaense ainda apresenta baixa densidade de capital de risco estruturado. Isso ajuda a explicar o funil observado no estágio de maturidade: 47,8% das startups estão em operação, mas apenas 3,1% alcançam o estágio de scale-up.

Em síntese, o Paraná demonstra capacidade de geração e formalização de novos negócios inovadores, além de capilaridade territorial. O desafio para o próximo ciclo está na ampliação das condições para que essas empresas escalem — o que passa, necessariamente, por maior acesso a capital, redes corporativas e mercados externos.

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