O mapa da inovação do Paraná: um ecossistema distribuído, conectado e em maturação
Mais do que polos isolados, o estado construiu ao longo da última década uma inteligência coletiva baseada em cooperação, escala regional e conexão entre conhecimento e economia real. / Foto: Anprotec (Divulgação)
Ao longo de 2025, o Paraná consolidou um dos ecossistemas de inovação mais articulados e descentralizados do Brasil. Em vez de concentrar esforços em um único polo, o estado estruturou sua estratégia a partir de seis grandes regiões — Noroeste, Sudoeste, Região Metropolitana de Curitiba, Centro, Oeste e Sul — conectadas por um Sistema Regional de Inovação (SRI) que, na prática, funcionou como uma malha de conhecimento, empreendedorismo e políticas públicas.
Coordenado pelo Sebrae Paraná em parceria com governos locais, universidades e entidades do setor produtivo, o SRI encerrou 2025 mobilizando centenas de ambientes de inovação, ICTs e empresas com um objetivo comum: promover desenvolvimento econômico de forma mais equilibrada, sustentável e inclusiva entre os territórios.
Sudoeste: pioneirismo e densidade como ativos estratégicos
O SRI Sudoeste do Paraná fechou 2025 como uma das referências nacionais em organização territorial da inovação. Pioneira no país, a região reuniu 30 habitats de inovação, acumulou mais de 800 ações ao longo da última década e registrou um crescimento de 324% no número de empresas de tecnologia no período.

Municípios como Pato Branco (foto acima), Dois Vizinhos e Francisco Beltrão consolidaram-se como polos regionais, sustentados por uma evolução consistente da maturidade dos ambientes locais. O índice ELI médio saltou de 15,05 em 2022 para 17,59 em 2024, refletindo um ecossistema mais estruturado, profissionalizado e conectado a cadeias produtivas reais.
Noroeste: inovação como estratégia de desenvolvimento regional
Na Região Noroeste, o ecossistema de inovação chegou ao fim de 2025 estruturado a partir de 25 ambientes ativos. Ao longo do ano, a região recebeu R$ 5,6 milhões em investimentos do Governo do Estado, direcionados a projetos de base tecnológica, fortalecimento institucional e estímulo ao empreendedorismo local.
Além dos números, o avanço do Noroeste reside na capacidade de articular poder público, setor produtivo e instituições científicas em torno de demandas regionais concretas — um movimento que ajudou a reduzir assimetrias históricas e a criar novas oportunidades fora dos grandes centros.
Curitiba e Região Metropolitana: escala, diversidade e reconhecimento internacional

Na Região Metropolitana de Curitiba, 2025 confirmou um cenário de alta densidade: a região reuniu mais de 160 espaços dedicados à inovação e 844 startups ativas, incluindo três unicórnios, além de manter a segunda maior produção automotiva do país — responsável por cerca de 14% da produção nacional e pela primeira linha de veículos elétricos em operação no Brasil.
Curitiba também se destacou no ranking da StartupBlink em 2025, figurando entre as três melhores cidades do país para startups. No campo econômico, Curitiba, São José dos Pinhais e Araucária encerraram o ano somando mais de R$ 150 bilhões de PIB, reforçando a relevância da região como motor industrial, tecnológico e logístico do Sul.
Região Central: ciência aplicada e base industrial
A Região Central do Paraná avançou em 2025 a partir da integração entre ciência aplicada, indústria e agronegócio. O território contabilizou 130 ambientes de inovação e 21 instituições de ensino superior conectadas a seis ecossistemas locais, entre eles Guarapuava, Ponta Grossa e Telêmaco Borba.
Entre 2015 e 2023, foram registradas 210 patentes na região, sendo 63 vinculadas a micro e pequenas empresas — um indicador claro de que a produção científica começou a transbordar para o mercado, fortalecendo cadeias produtivas e estimulando o empreendedorismo tecnológico fora dos grandes centros urbanos.
Oeste: inovação aplicada à produção real

No Oeste do Paraná (a, o fechamento de 2025 evidenciou um ecossistema fortemente ancorado na economia real. A região reuniu 25 ambientes de inovação, 18 universidades parceiras, quatro parques tecnológicos, 15 empresas âncoras e um universo de cerca de 78 mil micro e pequenas empresas.
Com aproximadamente 350 startups ativas, o Oeste consolidou-se como um território de inovação aplicada, especialmente em soluções voltadas à indústria, ao agronegócio e aos serviços. A proximidade com desafios concretos do setor produtivo funcionou como catalisador para modelos de negócio mais pragmáticos e escaláveis.
NOSSA ANÁLISE
O Paraná construiu um modelo particular de organização territorial da Nova Economia. Ao distribuir competências, estimular a cooperação entre regiões e alinhar inovação às vocações locais, o estado reduziu sua dependência de centros únicos e aumentou a resiliência do ecossistema como um todo.
Esse arranjo revela uma mudança importante de mentalidade: inovar deixou de ser sinônimo de concentração e passou a significar conexão. Cada região operou como um nó de uma rede maior, capaz de compartilhar conhecimento, talentos e oportunidades sem perder identidade.
Ao entrar em 2026, o Paraná se posicionou como um laboratório de como territórios médios podem estruturar ecossistemas complexos sem replicar modelos centralizadores. Em um país marcado por desigualdades regionais profundas, essa talvez seja sua contribuição mais relevante para o debate nacional sobre inovação e desenvolvimento.
