Mercado brasileiro registra 87 transações no primeiro semestre, 33% menos do que em 2025. Mas o principal impacto está na forma como a Inteligência Artificial reorganiza as teses de aquisição em todos os segmentos.
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M&A: empresas de tecnologia estão mais seletivas nas aquisições – e a IA redefine o alvo 

Mercado brasileiro registra 87 transações no primeiro semestre, 33% menos do que em 2025. Mas o principal impacto está na forma como a Inteligência Artificial reorganiza as teses de aquisição em todos os segmentos.

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) em tecnologia encerrou o primeiro semestre de 2026 com menos negócios e uma régua mais alta para definir o que merece ser comprado. O M&A Deals Report 2026, panorama de mercado recém-lançado pela Questum, mapeou 87 transações, ante 131 no mesmo período de 2025 — uma retração de aproximadamente 33%. O volume, porém, permanece próximo das 83 operações registradas em 2024 (bem distante da fase de liquidez abundante, que levou o setor aos picos de 2021 e 2022).

Mesmo com transações mais distribuídas entre segmentos, as fintechs mantiveram a liderança do sell-side, com 19 das 85 empresas vendidas, ou 22% do total. Soluções de ERP e TI aparecem em seguida, com 16 deals.  Do lado comprador, o desenho é semelhante: mercado financeiro participou de 20 operações e ERP/TI, de 16. Compradores nacionais responderam por 79% dos casos, diante de 21% de grupos internacionais. 

Na leitura dos especialistas, o mercado troca volume por seletividade: ainda existe capital, mas ele procura ativos mais previsíveis, integrados a processos relevantes e difíceis de reconstruir internamente. A consolidação atual está sendo conduzida majoritariamente por empresas que conhecem o mercado brasileiro e buscam ampliar portfólios, presença ou capacidade tecnológica.

“Saaspocalipse” e a IA como a nova tese de compra

A principal mudança apontada pelo relatório não está no surgimento de uma nova categoria de empresas adquiridas, mas na forma como a inteligência artificial passou a atravessar praticamente todos os setores do mercado. “A IA deixou de ser um diferencial pontual e passou a reorganizar as teses de aquisição, deslocando o valor da funcionalidade isolada para a combinação de dados proprietários, automação e capacidade de aplicação dentro dos fluxos de negócio”, analisa Rafael Assunção, managing partner e fundador da Questum.  

Esse movimento pressiona os dois lados do lado. Empresas compradoras agem com cautela enquanto tentam entender como a IA afetará a robustez das soluções e os valores de mercado das empresas de software. Elas, por sua vez, precisam provar mais do que receita recorrente e retenção, incorporando IA ao produto, sob o risco de perder margem e múltiplo.

Volume de operações de M&A no Brasil ao longo da década.
Volume de operações de M&A no Brasil ao longo da década.

No mercado internacional, a pressão sobre companhias de software ganhou o apelido de “SaaSpocalipse”, mas como aponta o relatório, não se trata do fim do SaaS. O momento é de uma reprecificação dos modelos que dependem de funcionalidades isoladas e de uma estrutura de cobrança que pode perder aderência no novo ambiente tecnológico. 

Comprar ou construir?

A IA também voltou a colocar no centro das decisões a pergunta clássica: comprar uma empresa ou desenvolver a solução internamente? Ferramentas de programação e automação reduziram o tempo necessário para criar determinados produtos. Em alguns casos, desenvolver passou a competir com o prazo de uma aquisição, que envolve negociação, diligência e integração.

Como analisa Anderson Wustro, senior partner da Questum, “a consequência não é o fim do buy, mas uma régua mais alta: compra-se aquilo que não se consegue construir rápido. Dado proprietário, base de clientes fiel, distribuição estabelecida e licenças regulatórias voltaram ao centro da precificação”. 

O estudo completo está disponível neste link 

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