Representantes de governos de PR, SC e RS destacam compras governamentais, conexão entre universidades e empresas e mudança cultural

Estados do Sul defendem nova agenda de inovação pública no BrasilGov Summit

Na abertura do evento, em Florianópolis, secretários e diretores dos governos de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul destacam compras governamentais, conexão entre universidades e empresas e mudança cultural no setor público.

A inovação no setor público brasileiro passa, cada vez mais, por uma mudança de cultura dentro dos próprios governos. Essa foi uma das principais mensagens do painel que reuniu representantes das secretarias de inovação dos três estados do Sul durante o BrasilGov Summit 2026, evento que começou nesta terça (10) em Florianópolis (SC).

Participaram do debate Alex Canziani, secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná; Edgard Usuy, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina; Ivan Carlos Vicentin, diretor de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti); e Marcelo Lopes Flores, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul.

Para Canziani, um dos caminhos para acelerar a inovação no setor público está no uso estratégico das compras governamentais. Segundo ele, esse mercado deve atingir US$ 1 trilhão até 2034, frente a cerca de US$ 630 bilhões registrados em 2024.

No Paraná, o governo tem buscado estimular a inovação também nos municípios por meio de repasses diretos. Um dos exemplos é o modelo “fundo a fundo”, que prioriza cidades menores. “Quanto menor o município, maior o investimento proporcional. Temos casos como São José dos Pinhais, que recebeu cerca de R$ 850 mil, e Jaboti, com aproximadamente R$ 1,3 milhão para desenvolver projetos de inovação”, afirmou.

O estado também criou o Hub GovTech, com investimento de R$ 15 milhões pelos próximos três anos, e prepara a terceira edição do programa Anjo Inovador – nas duas primeiras, a iniciativa aportou R$ 37 milhões em cerca de 150 startups. Segundo o secretário, um dos desafios é superar o chamado “apagão de caneta”, o receio de gestores públicos em contratar soluções inovadoras. “Inovar pode dar errado, mas não pode haver punição por tentar inovar”, disse.

Canziani, secretário de lA do Paraná: "inovar pode dar errado, mas não pode haver punição por tentar". / Foto: The Builders
Canziani, secretário de lA do Paraná: “inovar pode dar errado, mas não pode haver punição por tentar”. / Foto: The Builders

Conectar ciência e mercado

O O diretor de Ciência e Tecnologia em exercício da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, Ivan Vicentin destacou outro desafio estrutural: a distância entre a produção científica e sua aplicação econômica. Segundo ele, o Brasil ocupa hoje a 13ª posição mundial em produção científica, mas aparece apenas na 52ª posição em inovação. “Ainda existe um grande vácuo entre o conhecimento produzido nas universidades e aquilo que chega ao mercado e gera nota fiscal”, afirmou.

Para reduzir essa distância, o Paraná estruturou instrumentos como o Marco Legal de Ciência e Tecnologia, o Fundo Paraná e programas de conexão entre universidades e setor produtivo, apoiados pela Fundação Araucária.

Entre as iniciativas estão o Ageuni, rede de agentes regionais de inovação; o Separtec, com cerca de 500 ambientes credenciados; e o Projetek, voltado a pequenos municípios. Os investimentos estaduais também cresceram nos últimos anos. “Saímos de cerca de R$ 70 milhões para aproximadamente R$ 700 milhões por ano em ciência e tecnologia”, afirmou.

Inovação como política transversal

Em Santa Catarina, o secretário Edgard Usuy destacou que a criação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em 2023 respondeu a uma demanda histórica do ecossistema local.

Segundo ele, a inovação passou a ser tratada como uma agenda transversal dentro do governo, conectando diferentes áreas da administração pública. O estado atua em parceria com instituições como Fapesc, Ciasc e Sapiens Parque, além de programas de capacitação que já somam 35 mil matrículas.

Para Usuy, a cooperação entre os estados do Sul pode gerar impactos além da região. “Quando trabalhamos juntos, não transformamos apenas o Sul, mas criamos oportunidades para todo o país”, afirmou.

Usuy, secretário de inovação de SC: "Quando trabalhamos juntos, criamos oportunidades para todo o país”. / Foto: The Builders
Usuy, secretário de inovação de SC: “Quando trabalhamos juntos, criamos oportunidades para todo o país”. / Foto: The Builders

O papel das universidades e dos parques tecnológicos

No Rio Grande do Sul, Marcelo Lopes Flores destacou o papel dos parques tecnológicos e das universidades na transformação econômica. O estado conta atualmente com 19 parques tecnológicos, com previsão de chegar ao vigésimo na fronteira com o Uruguai.

Apesar da estrutura, ele chamou atenção para um desafio nacional: menos de 1% das compras públicas no Brasil são voltadas à inovação. “Gastamos muito com caneta e computador, mas pouco com soluções que podem transformar a gestão pública”, afirmou.

Entre as iniciativas estaduais, Flores destacou o Inova RS, que organiza o estado em oito regiões de inovação e conecta universidades, empresas e governo. “O governo precisa atuar como um meio-campista, fazendo a ligação entre o conhecimento produzido nas universidades e as demandas da sociedade.”

O BrasilGov Summit 2026 reúne gestores públicos, pesquisadores e representantes do ecossistema de inovação para discutir caminhos para a modernização da administração pública no país. A programação do evento segue até 12 de março, com painéis dedicados a temas como inteligência artificial, transformação digital do Estado e novos modelos de inovação aplicada ao setor público.

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