BrasilGov Summit propõe reorganizar o mercado GovTech e posicionar o Sul como laboratório de inovação pública
Iniciativa que envolve governos de PR, SC e RS reúne em março, em Florianópolis, gestores, empresas e ecossistema tecnológico para acelerar a transformação do setor público.
A maturidade do ecossistema GovTech brasileiro e a pressão por maior eficiência estatal começam a se refletir na criação de novos espaços de articulação entre governos e mercado. É nesse movimento que se insere o BrasilGov Summit, encontro nacional voltado à inovação pública e ao mercado GovTech que será realizado de 10 a 12 de março de 2026, no CentroSul, em Florianópolis, reunindo gestores públicos, empresas e ecossistemas de tecnologia.
Organizado pelo Instituto Brasil Up, com articulação estratégica dos governos de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o evento propõe reorganizar a relação entre gestão pública e fornecedores de tecnologia, enfrentando gargalos históricos do setor B2G no país e posicionando a região como território-piloto para testar novos modelos de contratação pública, interoperabilidade e serviços governamentais inteligentes.
“O BrasilGov parte de uma constatação simples e estrutural: a inovação pública no Brasil não falha por falta de tecnologia, mas por falta de espaços qualificados de decisão, alinhamento e tradução entre quem governa, quem executa e quem fornece soluções. O objetivo é criar um ecossistema que conecte governos em busca de eficiência com empresas que criam o futuro”, afirma Heloisa Soares, presidente do Instituto Brasil Up, em entrevista à rede The Builders. Serão mais de 7.000 m² dedicados à tecnologia e inovação pública, demonstrações práticas e oportunidades de negócio.
Sul do Brasil como base de um novo ciclo de inovação pública
A escolha do Sul como ponto de partida do BrasilGov Summit dialoga com características estruturais da região: escala administrativa compatível com experimentação, ecossistemas tecnológicos mais maduros e uma cultura institucional historicamente mais aberta à cooperação entre governos. Florianópolis, sede do encontro, sintetiza esse ambiente ao concentrar densidade tecnológica, proximidade entre academia e poder público e histórico de iniciativas em inovação na gestão.
A proposta, segundo Heloisa Soares, não é regionalizar o debate, mas usá-lo como base de expansão. “Não se trata de centralizar o debate no Sul, mas de usar o território como laboratório replicável para o país. O movimento começou com a força dos três estados do Sul e já reúne participantes de 12 estados”, afirma.
Essa lógica territorial sustenta também a tese central do evento: reorganizar um mercado B2G ainda fragmentado. Hoje, decisões públicas ocorrem sob pressão, empresas desenvolvem soluções sem compreender plenamente a lógica institucional e servidores operam no meio desse desalinhamento — um ambiente que produz retrabalho, baixa aderência tecnológica e dificuldade de contratação qualificada.
“O que queremos mudar estruturalmente é a lógica de vitrine tecnológica para decisão qualificada, a relação transacional para uma relação estratégica contínua entre governo e mercado e o discurso genérico de inovação para inovação aplicada à realidade institucional”, explica a coorganizadora.
Reduzindo fricções estruturais da gestão pública
Na prática, o BrasilGov se estrutura para enfrentar três fricções recorrentes da inovação pública brasileira: a fragmentação entre áreas e níveis de governo, as desigualdades de capacidade estatal entre municípios e a dificuldade de conexão qualificada entre soluções e decisores. A premissa é que decisões mais bem estruturadas no nível institucional se traduzem diretamente na experiência do cidadão — com serviços mais previsíveis, menos retrabalho e maior clareza na relação com o Estado.
“O BrasilGov não promete tecnologia mais bonita, mas governos mais capazes de entregar. E governos que entregam melhor produzem serviços mais humanos, porque reduzem frustração, insegurança e exclusão”, diz Heloisa.
Essa visão explica por que o BrasilGov se posiciona como movimento permanente, e não apenas como evento anual. A iniciativa prevê banco nacional de projetos de inovação pública, produção continuada de conhecimento e relatórios de impacto voltados à articulação entre governos e empresas.
“O evento é apenas o ponto de convergência visível de algo maior: a construção contínua de uma comunidade que discute inovação pública com maturidade, recorrência e inteligência acumulada”, conclui.
SERVIÇO — BrasilGov Summit 2026
- O QUE É: Summit nacional de inovação pública e GovTech que conecta governos, empresas e ecossistema tecnológico – brasilgovsummit.com.br
- Iniciativa estratégica: Governos de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, por meio de suas secretarias de inovação e tecnologia
- Organização: Instituto Brasil Up
- Data: 10 a 12 de março de 2026
- Local: CentroSul — Florianópolis (SC)
- Público: Gestores públicos, startups GovTech, empresas de tecnologia, academia e ecossistema de inovação
- Inscrições: inscricoes.brasilgovsummit.com.br
